Amante


Meu bom amante

Edna Clariza(Tradução Mário Faccioni)

Cálidos são teus lábios 
ao passar-los por minha pele nua
ao compasso da terna sedução
e a brisa de tua língua cobrindo os caminhos
de tuas mãos quando estão acariciando-me

e meus botões de rosa 
sentindo que os aprisionas com tua boca
e a fragrância do erótico me domina 
e me faz desejar-te um instante mais....

e o calor dos corpos se fundem 
em suor da entrega dos sexos ao sentir-los dentro, 
pele com pele friccionando a existência.. 
e sonhando que me pertences....

e aqui em tua casa com velas e espelhos.. 
me entrego como menina, 
como mulher em silencio...... 
e te olho com o orgasmo chegando... 
mas detenho-no para que não me deixes......
e nossos desejos se cobrem de capricho
doces orgasmos em êxtases de ereção...
e rios, mares, o pântano.. 
me envolvem em tão profunda emoção....
amando-nos como dois loucos, 
com caricias selvagens e gritos abafados 
e murmúrios de sexo entregados....... 
por um mesmo sentir.....

e o coração salta e meus olhos te fitam...
meu corpo te exige..
minha alma te aclama...
e meu ser... 
te respira....

Somente te ter junto a mim.... 
e engolir teu sexo..
e sentir-lo meu.. 
gozar-lo cada centímetro seu ....
e provar teu mel... 
que desliza por meu rosto e meu corpo nu...
apaixonado por contemplar tão cálida beleza.....
e juntar as duas entregas...
para sempre....

Cavalgadas


Cavalgadas

Antonio Virgilio de Andrade

Ouço o tropel do teu coração
Cavalgando meu peito nu.
Sinto teu corpo vibrar de tesão
Quando libertas meu sexo do suéter azul.

Teus frágeis músculos logo se embrutecem no gozo,
Teus lábios sugam o néctar da rubra tesa,
Tua pálida pele tonifica-se e transpira fogo.
Banhamos de orvalho a lâmina da mesa.

... imploras-me com teus olhos tristonhos.
... sussurras-me juras de amor e castigos.
... na volúpia do teu galopar medonho
... sufoca na minha boca teus gemidos.
Sedenta, aplaca a sede no copo de bebida
Atrevida, teus braços enlaçam minha cintura
Suicida, a gula da tua boca me dá nova vida.

Que Seja


Que seja meu corpo vasilha

Any Vaughan

Que sejam minhas mãos 
como rios entre teus cabelos
Meus seios……laranjas maduras
Meu ventre…pousada cálida 
para tua hombridade
Minhas pernas e braços portos 
em tuas tempestades

Meu cabelo…
como moitas de algodão em ramos
Que todo meu corpo seja refugio…do teu
Minha mente tua paz….
teu canteiro florido

Que seja meu corpo vasilha, 
que recolha a água terna,
derramada em mim…
em suadas batalhas,
em longas noites…. 
sobre os lençóis de nossa cama,
onde te ajeitas sorrindo….
enquanto uma flor me acende
passando sua suave corola….
contra tua doce carne.

Fúria


Fúria louca

Maria Eimil(Tradução Mário Faccioni)

Se acaso existe um espaço
entre você e eu,
esse é o instante
em que mordo teu nome para alimentar-me,
me arrumo na tua essência e teus odores
e revolve minha cabeça...
De tanto imaginar-te!

É o instante
em que me acaricio sem pudores
e sussurro a mim mesma
todos os vocábulos nascidos de teus lábios,
que entre versos e quimeras
me mantém entre nuvens voando...

Se acaso existira um espaço
entre meus desejos e tuas ânsias,
esse é o momento que escolho
para masturbar esta fúria louca,
e derramar-me toda...
Sobre tua imagem

Navegar


Navega sobre meu corpo

Mário Faccioni

Cravado em meu peito
descansa tua embarcação
enquanto o vento
de teu ansioso alento
chicoteia minha pele.
Extasiada do empuxo
incansável de tua vela
naufragas em meu ventre
e tua ancora atraca
em meu porto e descansa
Faz-me sentir e tombar
faz que as ondas surjam
nos sulcos de tuas mãos com a luxuria
de cada lugar deste mar.